quinta-feira, 5 de novembro de 2009

> ira

"O perverso de coração jamais achará o bem; e o que tem a língua dobre vem a cair no mal." pv 17:20

Isso deve ser obra do Espírito Santo, e no momento o que sinto é arrependimento. Não há sentimento mais torturante do que a ira sem controle, a raiva carregada de vaidade. Haveria outro motivo para se sentir assim, se o foco não fosse o eu? Claro que não.

A maldade aparece para esclarecer a atenção que apreciaríamos ter. E é tão insensata, tão pequena, que quando lembro, diminuo e morro mais um pouco, restando em mim o que ainda necessita ser moldado. Se me faltaram palavras de afeto, é pq meus olhos gritavam o desespero de algo já perdido.

O ódio é paralelo ao projeto vazio. Sem tempo, sem história, sem um guia, sem essência. O ódio é ausência, dor a indiferença, desgaste em existir.

Morrer a cada instante não é fácil. A morte vem com o erro. E a medida que morro, vivo. E morrer para mim, é evitar cansaço na vida dos outros. E talvez esse seja um dos maiores motivos que me levaram a dar de cara com a vaidade. O que sou eu? Pra que sou? Se não aprendi a amar quem me faz sofrer, é pq não estou preparada para amar quem deu a vida por mim.

Quando olho para Ele vejo perdão, quando olho para mim vejo tristeza. Que contraste traz a cruz quando se crava no olhar de um ser humano enraivecido. Ela soa o que eu não tenho: graça sem medida.

Consequências ruins virão, mas meu perdão é concedido desde sempre. Hoje, me resta respirar o amor, e aspirar a liberdade.

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